A Lesão (Terceira Parte)

Após a lesão, continuamos indo para as festas e dançando sem movimentos da cabeça. Kamacho não estava feliz.
Após a lesão, continuamos indo para as festas e dançando sem movimentos da cabeça. Kamacho não estava feliz.

A Lesão

 

(Você já leu a premeira parte dessa história? Você pode encontrá-lo aqui: “Como é meu parceiro de dança transformou meu sonho em um pesadelo.”)

Quanto mais treinávamos, melhor eu dançava e ele ainda menos paciência tinha comigo. Ele  costumava dizer coisas como: “isto está uma merda – qualquer avó na rua poderia fazer isso  melhor do que você” ou praguejava falando acerca de quantas grandes dançarinas lá fora ficariam felizes em tomar o meu lugar. Ele erguia a voz frequentemente frustrado porque eu não conseguia  pegar alguma coisa de imediato. Ele fazia eu me sentir pequena e sem valor, como se ele estivesse me  fazendo um grande favor sem que eu sequer o merecesse.

Nas noites de baile, depois de um dia inteiro de treinamento, nós dançaríamos por volta de oito  músicas seguidas juntos — o que é cerca de meia hora — mas sempre com a energia no máximo, como se  estivéssemos fazendo um show. Sua condução sempre foi intensa, às vezes ao ponto de ser brutal,  especialmente se eu não estava seguindo as suas indicações corretamente. Sua filosofia parecia dizer que, se eu  não estava entendendo a condução, ele certamente poderia me forçar fisicamente a alcançar a posição correta. Isso, por vezes, resultou em contorções dolorosas do meu corpo e pescoço. Para dançar com ele nos bailes, meu corpo teve que preparar‐se, todos os meus músculos se esforçavam para garantir que ele e sua intensa condução não causassem danos. Caso eu pedisse para fazermos uma pausa antes de ele decidir que havíamos terminado, ele, ou insistia que eu dançasse mais, ou me permitiria recusar dizendo alguma coisa sobre a minha falta de dedicação.

Uma noite em um baile, após uma dessas sessões de maratona dançando, Kamacho e eu estávamos sentados conversando em uma mesa do local. Um homem aproximou‐se e me convidou para dançar. Eu olhei para Kamacho pedindo sua permissão — e isso acontecia por dois motivos, primeiro eu não queria inflamar a sua ira e, segundo, pois eu sabia que ele estava determinado com posicionamentos a respeito de quem eu deveria ou não dançar – ele acenou com a cabeça dizendo “Vai”.

Aquela altura, dançar com alguém que não era Kamacho era um tanto decepcionante e, ao mesmo tempo, libertador. A maior parte do dançarinos não tinha o nível técnico e a musicalidade que ele tinha e eu, como sua aluna, acabei facilmente ficando entediada ao dançar com cavalheiros que ficavam aquém. Por outro lado, dançar com qualquer pessoa que não fosse ele, havia se tornado libertador – pois não tinham expectativas de que eu fosse perfeita e não gritariam comigo a qualquer momento,  me permitiam ser brincalhona com os meus movimentos e, o melhor de tudo, é que eu podia  aliviar um pouco da tensão em que ficava meu corpo constantemente.

O cara com quem eu estava dançando não era um grande condutor e, enquanto eu dançava, estava apenas esperando que a música acabasse. De repente ele apertou minha perna entre as dele e puxou‐a para a frente, o que me forçava para a fazer um cambré e, logo de imediato, trouxe meu tronco para cima de volta. Despreparada para a novidade e com o meu peso meio deslocado, foi meu pescoço que sofreu a consequência do movimento mal conduzido. Eu senti uma dor aguda no pescoço e logo abaixo dele, no lado direito das  minhas costas, especialmente quando tentava virar a cabeça para a frente. Fiquei irritada.  Que diabos havia sido aquele movimento? “Que idiota!” eu pensei. A música terminou logo depois e eu fui embora  sem dizer nada para o rapaz que havia dançado comigo.

Fiquei massageando meu pescoço doído e em seguida, Kamacho se levantou e me puxou para a  pista de dança. Com o primeiro movimento de cabeça que ele conduziu uma fisgada de dor anunciou que meu pescoço e costas estavam diferentes. A dor me fez estremecer na hora. Preocupada e chateada pela situação, eu avisei Kamacho dizendo “O cara com quem dancei fez um movimento e agora  acho que tenho uma distensão muscular no meu pescoço ou algo assim”

“Ha! Isso não é problema meu.” Ele respondeu e seguiu dizendo “Não fui eu que fez isso com você.”

Ele me fez continuar a dançar, mas cada vez que ele conduzia movimentações de cabeça, a dor dilacerava meus sentidos. Continuei e comecei a tremer involuntariamente até que, finalmente, eu fiz ele parar. Eu  simplesmente não podia mais. Ele disse  – “Tudo bem, vamos embora então!”.

Naquela noite, em função da dor, não consegui dormir. E naquele fim de semana, eu descansei no  apartamento de Ana. Kamacho me orientou para que eu aplicasse ‘Salompas’ – um adesivo almofadado medicadona região dolorida. Ele se ofereceu para comprá‐lo e entregá-lo a Ana em um dos bailes para que ela o aplicasse em mim.  Na segunda‐feira eu expliquei a Kamacho que eu tinha claramente uma distensão muscular e que eu  iria parar de fazer movimentações de cabeça por uma semana para deixá‐la curar. Ele concordou e disse que  poderíamos trabalhar em outras técnicas de Zouk, logo continuamos a trabalhar nessa semana.  Nossos ensaios eram mais curtos, uma vez que mesmo outros movimentos também afetavam meu pescoço. Somente depois de uma semana e meia eu passei sentir melhora e, a essa altura, nós dois estávamos a sentir a pressão  de terminar a coreografia para Praga.

O primeiro dia em que eu disse que iria tentar fazer o movimento de cabeça fomos para o estúdio e  passámos duas horas seguidas exercitando movimentações de cabeça. Eu sentia como se estivesse tentando  compensar as quase duas semanas que nós não tínhamos praticado. Meu pescoço estava com dor, mas eu  continuei até que ele passe a senti-lo tão desconfortável que eu tive que pedir para parar.

Nós aliviamos os movimentos de cabeça e, nos bailes, dançávamos sem eles. Eu acreditava que estava ficando melhor, hoje eu sei que estava me enganando. Tivemos mais uma semana juntos quando precisei viajar  para Flórida para  ensinar em um Congresso e fazer um trabalho freelance, já planejados antes de conhecer Kamacho. A viagem de 10 dias ia levar um pedaço grande das seis semanas que  tínhamos até a viagem para Praga e a estreia da nova coreografia. “Impossível”,  que a cada dia mais se parecia exatamente com isso, impossível.

 

Impossível

 

Ele me contou a mesma história algumas vezes. Um cavalo havia esmagado seu pé em  um milhão de pedaços e ele foi deixado sozinho em casa com um pé quebrado. E, no dia de  seus exames finais na escola houve uma greve de transporte público e ele resolveu caminhar até à escola com seu pé quebrado. Felizmente para ele, um cara ficou com pena e lhe ofereceu uma  carona.

A história é uma destilação de sua essência como um herói, um lutador. Ele diz que sua vida tem sido  uma batalha constante e que ele sempre fez o que foi preciso para superar os obstáculos da vida.  Ele escolheu a música “Impossível”, porque a história de James Arthur (o cantor da música), a sua voz, e a sua música ressoam  profundamente para ele. Embora ele não tenha traduzido a letra da música, uma só palavra tinha muito poder. Kamacho queria provar que nada era impossível.

Sua mãe deixou ele quando ele era jovem. Não me lembro ao certo que idade ele tinha — talvez sete. Ele cresceu com seu pai e outros dois irmãos mais velhos. Ele não me contou a história toda, mas hoje sua mãe está de volta em sua vida, de forma envolvida e preocupada. Ela vive a poucos quarteirões de distância e traz  comida ao irmão mais novo de Kamacho, ela chegou em um momento que serviu para confortar e aconselhá‐lo. Ela também reza para ele o tempo todo. Já seus irmãos trabalham com o pai no negócio da  família, enquanto Kamacho decidiu forjar seu próprio caminho. Ele sonhava em ser um jogador de futebol e  aos 14 anos, de acordo começou a trilhar o caminho para se tornar um jogador profissional. Mas foi aí que o cavalo  quebrou seu pé e, junto com isso, o seu sonho. Quando estava com sua antiga namorada, Brenda Carvalho, que já era uma dançarina de alto nível, ele começou a dançar. Ele encontrou sua nova meta,  se tornar um dançarino profissional. Pelo que eu vi quando eu estava morando lá, sua família está de acordo com sua escolha.

Na primeira semana que nós treinamos juntos ele disse que sentia que eu também tinha passado  por muitos desafios na minha vida e, portanto, poderia encontrar uma conexão com “Impossível”.  Naquela altura, parecia que ele estava olhando para a minha alma, mas o mais provável é que eu estava  tão cheia de determinação e destemor que escorreu para fora de tudo o que fiz.

Se eu não consigo dormir, você também não pode

 

Estávamos em um Baile de Samba e Zouk. Passei a maior parte da noite massageando meu  pescoço e parte superior das costas e conversando com um dos dançarinos. Como de costume, eu estava fisicamente  esgotada e acabei me sentindo bem por ter alguém novo para conversar. Desde do congresso – no início da minha viagem – eu não tinha feito nenhum amigo no Rio de Janeiro. Kamacho me avisou que havia um monte de pessoas problemáticas na comunidade — “que eu deveria ser  cautelosa”. Ele constantemente me lembrava que uma das maiores falhas de Brigitte era que ela se  preocupava mais com a socialização do que com a dança. No entanto, ele admite que ela era uma  boa pessoa, que era ótima nas aulas, porque ela falava e era simpática com todos. Mas o ponto dele  é que eu não poderia desperdiçar meu tempo à procura de amigos.

Na festa de Zouk-Samba
Na festa de Zouk-Samba

 

Tudo parecia bem entre nós a nível social, mas assim que saímos Kamacho lançou seu Hulk interior.  Ele estava indignado que eu tinha passado tanto tempo conversando com esse cara. Foi um  desperdício do meu tempo! “E do seu!” Ele dizia. Afirmava que tinha passado dias e dias me treiando e que era dessa forma que eu retribuiria: indo aos bailes para flertar com os caras em vez de treinar o que eu estava  aprendendo! TAO INACEITAVEL!

Eu estava intrigada pela forma como uma noite de “relaxamento” parecia apagar todo o trabalho  duro do último mês.    Ele estava andando rápido na minha frente e eu estava quase correndo para manter‐me com ele.  Ele gritava na rua com toda a força de seus pulmões, mas felizmente (ou não) a essa hora as ruas estavam  abandonadas e ninguém além de mim estava lá para ouvi‐lo. Tentei acalmá‐lo, tentando explicar que eu  estava exausta e com dores e só queria uma pausa.

“Se você quer flertar com homens, faça isso em seu próprio tempo, faça‐o depois dos bailes.” Ele  não estava escutando o que eu estava dizendo. Ou melhor, ele não estava aceitando o que eu  estava dizendo. Talvez ele temesse por desconfiar da minha credibilidade em perseguir o sonho, temesse que a  minha lesão no pescoço estivesse me deixando preguiçosa, ou ainda que eu não estaria perfeita a tempo para Praga. Mas, acima de tudo, ele estava frustrado pois não poderia criar, já que seu novo  instrumento (eu) estava quebrado.

Ele continuou gritando no táxi e eu então tentei outra estratégia — expressando a minha própria raiva. Isso  não funcionou e eu comecei a ficar preocupada. Quanto tempo mais isso iria continuar? Se ele estava  confortável gritando assim em público, como seria quando chegássemos a casa dele? Comecei a  dizer qualquer coisa que eu achasse que fosse acalmá‐lo. E, quando chegamos em casa, ele finalmente parou de gritar. Eu  estava exausta e fui direto para a cama. Dez minutos depois ele abriu a porta e disse “as coisas vão  ser diferentes a partir de agora! Vou estar pensando sobre a nossa parceria!”, fiquei irritada com essa  intrusão e respondi “OK, tanto faz” e deitei‐me, puxando a minha máscara de olhos de volta ao  lugar. Ele bateu com a porta de deslizar. Cinco minutos depois ele voltou — desta vez ele deixou a  porta aberta e se sentou no chão, de costas para a parede e pés pressionados contra a cama.

“Que foi agora?” Perguntei.

“Estou muito chateado para dormir. Se eu não consigo dormir, você também não pode.”

A lógica criada era quase hilariante, mas ele estava falando sério. Tornou‐se claro para mim que ele  ainda não tinha conseguido uma das características emocionais que se exige na vida adulta: a capacidade de ficar  a sós com as nossas próprias emoções e, feito isso, nos acalmar. Nesse momento eu só queria dormir. Eu nem me lembro o que eu disse, mas eu lembro que fui  capaz de acalmá‐lo e aliviá‐lo o suficiente de sua raiva para que finalmente saísse de meu  quarto.

Naquele dia eu entendi que suas emoções eram demais para ele mesmo segurar. Entendi que ele tem de  descarregá‐las em alguém. Sendo eu sua parceira e muitas vezes a causa da sua irritação, eu seria muitas vezes a pessoa que receberia essa descarga.

28 thoughts on “A Lesão (Terceira Parte)”

  1. Que o Kamacho é perturbado todos que o conhecem sabem bem disso, mas se você se sujeitou a aceitar tal ‘parceria’ já deveria esperar no mínimo essa situação!

    Outro ponto que gostaria de frisar, nenhuma dama se machuca dessa forma sozinha, não foi o cara quem a machucou, mas você que estava mal habituada a um único tipo de condução e deixou o corpo mole, aí é batata acontecer isso! Da forma que escreveu, sobrou até pro rapaz seus problemas com o Kamacho.

    Mas enfim, boa sorte e sucesso na dança, mas saiba escolher melhor seus parceiros!

  2. Luciana, estou acompanhando sua história, e me sensibilizo, apesar de ver comentários ridículos de que a sua lesão teve culpa sua, assemelho o seu caso, com casos comuns de violência doméstica, onde o amor, no seu caso pelo zouk, supera os maus tratos recebidos… Tudo em função de uma paixão desmedida, e de uma pessoa focada em seus objetivos.
    In(feliz)mente a sua história não acabou bem, mas a repercussão disso tudo, vem servindo de exemplo à muitas que colocam seu sonho à frente de tudo na vida!
    Parabéns, e boa sorte!

  3. A pessoa está vendo tudo isto e não se defende provavelmente porque nao tem argumentos, foi cruel demais e agora vai ter que aprender todos que periclitam seus parceiros põe em risco seus próprios sonhos.

  4. Concordo com o Bruno. Li todos os capítulos que você escreveu e percebi que a parcela de culpa de Kamacho é mínima. O que pareceu é que você foi um tanto ingênua para perceber onde estava se envolvendo. Você falou que mal conseguia falar um português, conhecia poucas pessoas aqui e nunca havia convivido com Kamacho, sem saber então, que ele é desequilibrado emocionalmente. Da mesma forma que a sua fratura também não foi total culpa do cavalheiro, visto que quem qualquer dança existem movimentos que podem causar lesões sérias, porém não acontecem porque a dama cumpre a sua missão de ser “moldada”. Lamento por tudo o que aconteceu, mas você está virando demais o jogo. Está colocando males onde não existem. Talvez, com o propósito de cativar os leitores, esteja cometendo calúnia. E das graves.

    1. Claro! Mulheres que usam minisaia merecem ser estupradas. Mulheres que “dão mole” e são ingênuas, merecem apanhar para aprender a serem mais “sagazes”! E só para doer mais ainda, mulheres que passam por essas coisas, merecem ler DE OUTRAS MULHERES que o erro foi delas. Ah Raquel, que pena de você, que acha que mulheres têm que nascer sabendo ou então, é melhor usarem burka.

        1. Não distorceu nada! Ninguém sabe de tudo. Sempre tem um período de aprendizado e adaptação. Por quê só ela tinha que se adaptar à condução do kamacho? Raquel viajou no comentário infeliz.

          1. Bruno e Raquel, que comentários tendenciosos e ridículos, só pq vcs são amigos dele e conhecem como ele é não justifica q é certo.
            Tomara que vcs não sejam amigos de ladrões, estrupadores, etc… pq justificaria qualquer erro né?! Mente pequena… lamentável.

          2. Bruno e Raquel, que comentários tendenciosos e ridículos, só pq vcs são amigos dele e conhecem como ele é não justifica q é certo.
            Tomara que vcs não sejam amigos de ladrões, estupradores, etc… pq justificaria qualquer erro né?! Mente pequena… lamentável. (corrigindo, antes que se atentem ao erro de portugues ao invés do conteúdo)

  5. Olá, Luciana.

    Estou acompanhando sua história desde o início e estou realmente sensibilizado da forma como o Kamacho te tratou. Porém, quanto a sua lesão, ele não teve culpa alguma (o que parecia ser o ponto central da história).
    Não posso dizer nem que a lesão foi causada por outro parceiro, mas que ela foi causada enquanto vc dançava com outro parceiro. Como também acho que a maior parcela de culpa foi sua, até pq, se a lesão se agravou, foi pq vc não se cuidou antes, achando tratar-se de uma simples lesão muscular.

    Boa sorte na sua carreira.

    1. Não é bem assim Luiz! Kamacho sabia da gravidade da lesão e mesmo assim forçou a barra. Concordo com vc que a culpa da lesão não cai inteiramente sobre o Kamacho, mas ele sem dúvida tem a maior parcela.

      1. Aonde está escrito isso? Me mostra pq eu não vi. Aonde que o Kamacho sabia da gravidade da lesão? Sendo que nem a própria Luciana sabia?
        Ela mesmo admite que achou que tratava-se de ums distensão muscular, e embora o Kamacho não tenho dado a mínima em um primeiro momento, posteriormente ajudou ela com o tratamento do que ela achava que seria o problema.
        E mais uma coisa… Eu cuido da minha saúde, sabe pq? Pq se eu não cuidar, ninguém cuidará para mim…

  6. Não consigo ler os comentários dizendo que a culpa foi sua, dizendo que voce quer ‘aparecer’, criar empatia, COMETENDO CALÚNIA… Lastimável… Li tudo, e dá pra perceber que a sua vontade de evoluir, de crescer, acabou por ‘distorcer’ um pouco o modo como voce via as coisas. A lesão se agravou por falta de tratamento? Sim, mas conforme lemos todos os posts, percebemos que foi o próprio infeliz, QUE DIGA-SE DE PASSAGEM NAO TEM NEM DECÊNCIA DE SE PRONUNCIAR A RESPEITO, E QUE JÁ TEVE HISTÓRICOS ANTERIORES SIMILARES (mesmo nenhum deles tendo chegado a esse ponto), que as agravou, forçando-a a continuar e continuar, mesmo que reclamasse das dores. Como citado pela Adriele, assemelha-se a um caso de violência doméstica, é raro ter coragem de interromper o que está lhe fazendo mal por medo da reação e atitude da pessoa. FORÇA, E SAIBA QUE CEDO OU TARDE A JUSTIÇA SERÁ FEITA, e tudo o que ele faz com as parceiras dele, e que raramente vem a tona, um dia se voltará contra ele.

  7. Kamacho é desequilibrado sim, ninguém está negando isto!! Acontece que a culpa de ela ter ficado pior não foi de Kamacho, como ela estar fazendo parecer ser!! Ela, com seu orgulho quis ir em frente, sem se importar. AS PESSOAS SÃO E FAZEM O QUER CONOSCO PORQUE PERMITIMOS. Kamacho não é santo, mas utilizar a personalidade dele para justificar uma falha pessoal é inaceitável. Ela sendo dançarina, mesmo que fosse uma leve lesão deveria ter ido ao médico, porém apenas por estar nas alturas por realizar seu sonho e ainda mais com Kamacho, ela não quis ir. Se ele continuou dançando com ela mesmo ela estando machucada não foi porque ele quis ser grosseiro, mas porque ela mostrou que aquela lesão pouco importava, e que ela pouco se importava se ele era grosso, ou louco, porque ela só queria chegar no topo. Como ela mesmo disse no facebook: ficou cega pelos seus próprios sonhos. Mas a maior parte do sofrimento não é culpa de Kamacho.

  8. Na minha opinião houve dois fatos de autoria distinta. As agressões sucessivas, verbalmente, e a lesão provocada pelo neófito, se descobrir quem era mencione também.

  9. Não estou defendendo Kamacho não, como o tema desta parte é a lesão, somente ficaria “menos feio” se ela assumisse parte do erro dela ao dançar com alguém que não era um “grande condutor”, e quem leu até ficou imaginando que Kamacho é o rei da condução. Controverso não?

    Infelizmente o exibicionismo do zouk acaba com o brilho da dança, tem cara que viaja o mundo (gasta o dinheiro que não tem pois poucos são os que tem algum retorno bom nessas viagens), só pra dizer que fez congresso internacional.

    Pior são as “damas” que idolatra essas pessoas somente por ver seus vídeos e fotos na internet dançando no exterior, e tanto profissional BOM da dança de salão mesmo, sem o devido reconhecimento.

  10. O cara violenta ela fisicamente (chuta joelho, deixa cair de propósito) moralmente e psicologicamente, e a culpa é dela? Se ele é assim tão desiquilibrado ” e todo mundo sabe”, simplesmente não pode estar por aí, no convívio social e bancando o matrè do zouk. Raquel, q vergonha de vc!!!

    Luciana, tens meu apoio. Vc não tem culpa DE NADA nessa história, e o q vc sofreu foram inúmeras violências! Passíveis de processo judicial civil e criminal!

  11. Concordo c/ a Raquel pois se ela assim q percebesse q algo estava indo mal c/ seu corpo deveria ter tomado força da situação e ter dito q realmente n dava p/ dançar… Como ela continuou aparentemente levando de boa a lesão ele tbm levou!! Isso é lógico!!

  12. Só um comentário para acabar de vez com o assunto de quem fica culpando o Kamacho pela lesão.
    Mas primeiro, vou colar os trechos do próprio texto da Luciana, pois acho que tem gente que está com preguiça de ler, ou então, não compreende o que está escrito mesmo.

    “Preocupada e chateada pela situação, eu avisei Kamacho dizendo “O cara com quem dancei fez um movimento e agora acho que tenho uma distensão muscular no meu pescoço ou algo assim”

    “Na segunda‐feira eu expliquei a Kamacho que eu tinha claramente uma distensão muscular e que eu iria parar de fazer movimentações de cabeça por uma semana para deixá‐la curar. Ele concordou e disse que poderíamos trabalhar em outras técnicas de Zouk, logo continuamos a trabalhar nessa semana.”

    Agora para finalizar… meu comentário:

    Eu cuido da minha saúde, sabe pq? Pq se eu não cuidar, ninguém cuidará para mim…

  13. Eu sou dançarina profissional, adoro ZOUK, mas em primeiro lugar eu coloco o meu bem estar, afinal o meu corpo é a minha ferramenta de trabalho. Há mtos “dançarinos”com suas conduções fortes, impondo a dama a fazer o q ele quiser, e nessa hora eu opto por não fazer determinados movimentos, como cambre ou uma queda.
    Agora quanto a parceria, acho muita ingenuidade e imprudência da Luciana de ter aceitado logo de cara a fazer a parceria com um profissional que nem sequer havia dançado antes. Culpa dela de não ter se dado o respeito e ter permitido que o seu parceiro lhe tratasse da maneira como tratou. Por mais deslumbrante que seja ser parceira do Kamacho, será que não faltou uma conversa inicial para discutir como será a parceria, afinal, todos tem que ter o seu espaço, tempo? Ter uma troca de experiência, afinal, pelo que eu li, a Luciana podia ser nível intermediário de ZOUK mas tinha muitas outras vivências na arte de dançar. Isso é para as pessoas do meio pararem apara pensar um pouco, ser mais realista e que somos responsáveis por nós mesmos. Pessoas como Kamacho, devem ser tratados com psiquiatra ou até preso para aprender como tratar o seu colega de trabalho.

  14. Acho curiosa a nossa necessidade – e por ‘nossa’ eu escrevo sobre a necessidade da estrutura social ocidental – de achar culpados para tudo. A Dilma é a culpada pelo fato de nós não termos dinheiro, o pobre é o único culpado de ser pobre e a Luciana é a culpada por todas essas coisas que viveu. “Ah, não…que absurdo. O Kamacho é descontrolado, ele é o (mais uma vez) culpado disso tudo, ela foi totalmente enganada por ele”.

    Quando pararmos de achar CULPADOS e começarmos a aceitar que existem simplesmente parcelas de responsabilidades nas coisas, tudo fica mais leve e, certamente inteligente. Ambos teme tiveram responsabilidade sobre o que aconteceu e, cada um de nós tem responsabilidade quando se dá ao trabalho de escrever algo aqui, no facebook ou em qualquer lugar que reforce papéis definidos – o dela de coitadinha, o dele de menino mal. Isso não existe, ambos tem responsabilidade sobre o que acontecia. Eles formaram o casal perfeito, ele um opressor, ela uma oprimida.

    Muitas mulheres não teriam estabelecido esse tipo de relação com o Kamacho. Algumas teriam inclusive socado ele no primeiro chute que ele tentasse dar. Mas, por outro lado, muitos homens jamais conduziriam o processo de preparação de uma parceira com uso de violência. Ou seja, mais uma vez, responsabilidades de ambos em relação as suas histórias de vida. O dela de encaixar muito bem nesse papel de oprimida e o dele de ter feito em Havard o cursinho para opressor.

    Violência contra mulher é algo que nos cerca em TODOS os lugares e, ainda assim, é invisível. Ninguém sabe quando um cara dá uns tapas na sua esposa ou companheira e, ao mesmo tempo isso é absolutamente corriqueiro. Acontece nas camadas populares e, é especialmente velado, nas classes A e B, onde ninguém fala sobre o assunto. E, quando se fala nesse assunto no meio científico garanto que fugimos de vitimização e da ideias de culpados. A mulher não é uma coitadinha e o cara não é o grande vilão da história.

    O que se tem por objetivo ao contar toda essa história não é, com certeza, que encontremos um culpado para lesão da Luciana ou qualquer outra culpa. É simplesmente um alerta para algo que, sendo professor de Dança de Salão, eu sempre vi acontecer e, de fato, nunca ouvi alguém falar sobre. Luciana sabiamente nos chama atenção para o papel que as mulheres desempenham no universo da Dança de Salão: que papel aceitam desempenhar quase sempre no espaço da d.s. e, principalmente, será que em alguns casos não é um papel muito parecido com o dessas mulheres que tem seus direitos violentados por seus companheiros?

    Nas Danças de Salão é comum lermos o nome dos meninos em destaque acompanhado de um “e parceira” em letras miúdas em flyers de divulgação e, ao mesmo tempo, ao chegar para fazer essas aulas a “parceira” não abrir a boca para falar nada, pois quem conduz e sabe tudo que é preciso fazer somos nós, os cavalheiros.

    Dois grandes nomes na dança de salão são reconhecidos como mestres antigos e cheios de significados para o universo da Dança de Salão. Nomes de homens.

    Os rapazes trocam de parceira como se trocassem de sapatos e, poderosos, dão continuidade ao seus trabalhos enquanto, quase sempre, suas parceiras são largadas num mar de esquecimento.

    Quando penso em nomes importantes para Dança de Salão, também tenho o nome de mulheres, mas são, principalmente, homens. O que é muito curioso dado o fato de que, desde sempre, é um universo com muito mais mulheres do que homens. Pq então são muito mais homens que se destacam nesse espaço? Será que não existe nada de machismo nisso? Será que outros ambientes não vivem coisas parecidas?

    Todas essas coisas tem relação e, tem como responsáveis, todos nós. Culpados nós não somos, mas temos responsabilidades sim no que acontece ao nosso redor.

    1. Sensacional! Uma coisa que nunca entendi no universo da DS é que a mulher, quanto mais aprende, mais estuda, mais sabe e mais tem esperiência, mais fica velha e sentada nos bailes. Ou seja, aquela que estudou anos e anos, agora está “velha” e já não tem mais o super cambré, não pula mais, não joga a perna lá no alto. Esta mesma dama que sabe tanto quase não dança nos salões, não faz apresentações, digo shows(!) e, portanto, não é chamada para Congressos e Workshops. Enquanto isso, todas (as velhas E as novinhas) torcendo para os colegas que vão ao Faustão concorrer com as “colegas” (que não são professoras de DS, afinal, qualquer dançarina pode fazer o que fazemos).

  15. Achei abominavel, uma monstruosidade, o jeito com que o Kamacho a tratava. Chutar o joelho, deixar a dama cair em um movimento acrobatico… Isso não se faz com ninguém… Porém, a responsabilidade da gravidade da lesão não é só dele. Assim como li em um dos comentários acima, Luciana foi muito ingênua em, sendo uma dançarina com 1 ANO de zouk, aceitar, assim, do nada, uma parceria com um profissional renomado como ele. Ela estava aguentando humilhações para prosseguir com seu sonho, nessa parte eu a entendo. Quem entre nós não faria o mesmo?
    Agora, quanto a lesão em si, a responsabilidade foi apenas de uma pessoa. Muitas vezes a dama fica viciada em apenas uma condução e quando vai dançar com um cavalheiro diferente acha que ele é péssimo, que não dança bem e etc (sendo que uma pessoa não dança igual a outra, cada um tem seu estilo próprio). Quanto a gravidade da lesão, foi muita burrice da parte da Luciana prosseguir com a dor no pescoço quase duas semanas e não procurar um médico.
    Que me desculpem todos os defensores, mas que pessoa brinca com a saúde assim? Principalmente com uma distenção no pescoço? Nisso o Kamacho (com sua brutalidade, seus problemas emocionais e sua arrogância) não teve culpa.
    Enfim, acompanhei toda a história até aqui e é essa a minha opinião.

  16. Kamacho pode ser tudo que ela/vocês citaram, mas não necessariamente o culpado pela lesão da cervical.
    Como ela pode provar que ele causou a lesão dela? Ela fez um exame antes de dançar com ele e outro depois pra comprovar que o aparecimento da hernia foi após ela ter começado a dançar com ele?
    A lesão já poderia estar lá, devido há vários fatores, tempo de dança, postural…etc e se agravado quando estava com ele(quando a dor que ela sentia não permitia mais que ELA ignorasse a lesão, como fez por tanto tempo achando que não era uma distenção. Este é o problema “achar”)
    Se me aparece uma dor no dedo(que tenho 20) já fico preocupada, imagine na cervical que só tenho uma.

    Desejo que você se recupere! Considere todos os comentários e Reflita!

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